quarta-feira, 15 de abril de 2009
caixa alerta
-Pode brincar? diz ele. Ainda não sabe do que se trata, afinal a caixa ainda está fechada. A mãe se aproxima com um ar, não se sabe ainda,se, de dúvida ou sossego -se aproxima, abaixando-se ao encontro do filho que, ainda curioso, já perde as esperanças de descoberta naquele momento. Hesita ao sentar na poltrona de couro velho que pertencia ao seu pai, já falecido, posicionando metodicamente a caixa entre as pernas.Apanha a tesoura na segunda gaveta do móvel da TV e pensa antes de começar. Eis que, no tão esperado momento, o telefone toca.
O garoto, agoniado com a própria ansiedade, sai caçando aquela bola colorida que ganhara de aniversário.
A mãe atravessa, aflita, o corredor frio em busca de caneta e papel; a notícia que estava por vir talvez não fosse das melhores.
Gabriel, hora dessas, já estava correndo pela rua com um vira-lata cor de sujo, atrás de sua bola; puxando por um barbante o carrinho de plástico sem as rodas da frente.
Marília continua com o telefone ao ouvido, mas não obtém resposta.Está muito longe para montar sua bicicleta e pedalar ate o hospital onde sua mãe, D. Aurélia, se encontra depois de ter caído da cadeira e fraturado a bacia.Mas Marília já não espera muita coisa, sua mãe, há muito, já estava com os parafusos meio frouxos.
-Mas que ideia maluca foi essa, mamãe? Uma sirene de policia fazendo barulho no teto!? Foi o que disse depois de ouvir um barulho vindo da cozinha e encontrar D. Aurélia caída com uma vassoura na mão.
Depois que o marido morreu, S. Manoel, foi que a velha ficou nessas de guardar cuspe na gaveta e implicar com o sapo que insistia em dormir na panela de arroz depois da janta. "E ainda ronca, o desgraçado!"
Gabriel, em sua ânsia, resolveu ver o que tinha na caixa.
-Ah -Marília respirava aliviada, vovó tá bem, filho.
Uma enfermeira tentava entrar em contato com a família de D. Aurélia depois de quase duas horas de sufoco. Desta vez a velha subiu na cama, tirou a bata do hospital e agarrou o soro nas mãos clamando por independência.Afinal, já tinha idade o suficiente para sair de casa e fazer seu próprio sustento cantando no Cabaret Margot. Aos vinte e três anos por que deveria, essa bela jovem, esperar por um noivo rico para quem pudesse bordar e cozinhar?
Era só o que faltava. Agora Marília já nem se preocupava, sabia que o melhor era que ( de preferência mais cedo) D. Aurélia trilhasse o mesmo caminho que S. Manoel.
Gabriel vem andando pela sala com alguma coisa na mão.
quarta-feira, 8 de abril de 2009
Ainda ousa sair do peito de alguém que há muito não sabe o que é o amor.
Um latido.
um gemido
um copo quebrado
fim de festa.
Prédios acesos
luzes apagadas
sem movimento
duas da manhã
duas batidas
esquinas
buzinas e sirenes
Beco da pernoite
virilidade em portas de boates
Os bares bocejando já sem musica
e na sequência inspira-se o que se sucede
só um breve suspiro.
Um latido.
um gemido
um copo quebrado
fim de festa.
Prédios acesos
luzes apagadas
sem movimento
duas da manhã
duas batidas
esquinas
buzinas e sirenes
Beco da pernoite
virilidade em portas de boates
Os bares bocejando já sem musica
e na sequência inspira-se o que se sucede
só um breve suspiro.
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